sexta-feira, março 30, 2012

Reencarnação na Bíblia


Temos muitas passagens na Bíblia que sugerem a reencarnação.
Em João, 3: 3, Jesus diz:
“Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”

Haroldo Dutra Dias, tradutor do Novo Testamento, diz que o verbo grego quer dizer “gerado”;'”se alguém não for gerado de novo...·” O sentido sentido é de “ser parido”.
Não há assim, nenhuma menção ao batismo nesta passagem, e Nicodemos entendeu o que Jesus queria dizer, pois pergunta como pode entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe. Se a ideia fosse a do batismo ele não faria esta pergunta.
Em Mateus, 17: 12 e 13 o tema se faz mais claro.
Jesus diz:
 “ Elias já veio” 

e o evangelista completa:
“Então os discípulos entenderam que se referia a João Batista.”

Portanto João Batista é Elias, foi Jesus quem disse, e se é Elias é Elias reencarnado. Confronte esta passagem com Mateus, 11: 14 e Lucas, 1: 17. Não fica nenhuma dúvida.

Além de muitos outros textos temos a reencarnação expressa em Ezequiel, 37: 1 a 14:

1A mão de Iahweh veio sobre mim e me conduziu para fora pelo espírito de Iahweh e me pousou no meio de um vale que estava cheio de ossos. 2E aí fez com que eu me movesse em torno deles de todos os lados. Os ossos eram abundantes na superfície do vale e estavam muito secos. 3Ele me disse: "Filho do homem, porventura tornarão a viver estes ossos?" Ao que respondi: "Senhor Iahweh, tu o sabes". 4Então me disse: "Profetiza a respeito destes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra de Iahweh. 5Assim fala o Senhor Iahweh a estes ossos: Eis que vou fazer com que sejais penetrados pelo espírito e vivereis. 6Cobrir-vos-ei de tendões, farei com que sejais cobertos de carne e vos revestirei de pele. Porei em vós o meu espírito e vivereis. Então sabereis que eu sou Iahweh". 7Profetizei, de acordo com a ordem que recebi. Enquanto eu profetizava, houve um ruído e depois um tremor e os ossos se aproximaram uns dos outros. 8Vi então que estavam cobertos de tendões, estavam cobertos de carne e revestidos de pele por cima, mas não havia espírito neles. 9Então me disse: "Profetiza ao espírito, profetiza, filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Iahweh: Espírito, vem dos quatro ventos e sopra sobre estes ossos para que vivam". 10Profetizei de acordo com o que ele me ordenou, o espírito penetrou-os e eles viveram, firmando-se sobre os seus pés como um imenso exército. 11Então ele me disse: Filho do homem, estes ossos representam toda a casa de Israel, que está a dizer: "Os nossos ossos estão secos, a nossa esperança está desfeita. Para nós está tudo acabado". 12Pois bem, profetiza e dize-lhe: Assim diz o Senhor Iahweh: Eis que vou abrir os vossos túmulos e vos farei subir dos vossos túmulos, ó meu povo, e vos reconduzirei para a terra de Israel. 13Então sabereis que eu sou Iahweh, quando eu abrir os vossos túmulos e vos fizer subir de dentro deles, ó meu povo. 14Porei o meu espírito dentro de vós e haveis de reviver: eu vos reporei em vossa terra e sabereis que eu, Iahweh, falei e hei de fazer, oráculo de Iahweh. (Grifos nosso)

Muitos interpretam este texto como se ele falasse da ressurreição, mas vejam que ele fala em reviver e repor na vossa terra, e a reessureição é no Reino de Deus ou no Céu. Se é viver e repor na terra é reencarnação.
Cf. Isaías, 26: 19:
19Os teus mortos tornarão a viver, os teus cadáveres ressurgirão. Despertai e cantai, vós os que habitais o pó, porque o teu orvalho será um orvalho luminoso, e a terra dará à luz sombras.

Mesmo caso, não é ressurreição, vejam: a terra dará à luz sombras...
Se é na terra é reencarnação.

segunda-feira, março 26, 2012

Paulo Numa Perspectiva Espírita - Jesus é Deus?


Continuando nossos estudos afirmávamos da necessidade do conhecimento dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita como forma de auxiliar no entendimento da teologia paulina.

Temas como Deus, Jesus (Cristo), Espírito, Perispírito, Evolução, Mediunidade, Imortalidade da Alma, Livre Arbítrio, entre outros, são essenciais para verdadeiramente entendermos o que quis dizer ao mundo este Bandeirante do Evangelho.
Só para termos uma breve ideia da importância dos conhecimentos destes princípios doutrinários para o melhor entendimento da proposta paulina vamos destacar neste momento apenas três destes princípios: Deus, Espírito e Jesus.

Deus
Para a doutrina espírita, o entendimento de Deus é como na Bíblia em seus primeiros movimentos, Deus é o Criador do Universo.
Na primeira questão de O Livro dos Espíritos temos: Deus é a Inteligência Suprema e Causa Primária de todas as coisas.
Deus é Espírito, é imaterial, onipotente, onipresente, onisciente, imanente e transcendente. Segundo os Espíritos Ele não atua diretamente na matéria1, para isto tem agentes dedicados que O auxiliam.

Espírito
O Espírito é o princípio inteligente do Universo2, os Espíritos são os seres inteligentes da criação3.
Eles estão em constante evolução, o que fazem através das diversas reencarnações. Quando atingem o cume da escala evolutiva, tornam-se Espíritos Perfeitos, Espíritos Puros, Cristos4...

Jesus
Jesus é para a doutrina espírita um Espírito criado, não é Criador, é criatura.
Porém é um Espírito especial, não porque tenha sido criado de forma diferente dos demais, mas porque se fez especial. Percorreu toda escala evolutiva em mundos que já nem existem mais, e tornou-se Perfeito, um Espírito Puro. É assim, um Cristo. Daí, Jesus-Cristo, onde Cristo não é sobrenome, mas condição espiritual, estado evolutivo.
Podemos assim dizer que ele é um dos Agentes Dedicados5 que auxiliam Deus na governança de Sua criação.
Ele não é Criador, é Construtor; é conforme orientação do Espírito André Luiz, um Co-criador em Plano Maior.6
Para o nosso planeta, Jesus é o Construtor dele, é o Mentor Espiritual; os Espíritos o definem como Governador Espiritual da Terra.
Não compreendendo tudo isto e sentindo a Sua superioridade muitos pensam ser Jesus o próprio Deus Criador. Só o Espiritismo através das revelações dos Espíritos Superiores pôde elucidar esta questão, e assim nos dar mais uma ferramenta para compreendermos Paulo, e porque não dizer todo o Evangelho, que é a Boa Nova de Deus.
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Dito isto faz-se necessário buscar Alguns textos de Paulo e os interpretarmos dentro desta nova ótica proposta. Lembrando que por ser o Evangelho a Mensagem do Cristo trazida aos homens através da inspiração do Espírito de Verdade, outras interpretações além das aqui propostas poderão haver sem contradição. Neste passo não vamos nos preocupar com as minúcias, mas com o que achamos mais importante para o objetivo deste estudo.

Jesus é Deus?
agora, nestes dias que são os últimos, [Deus] falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos. É ele o resplendor de sua glória e a expressão de seu ser; sustenta o universo com o poder de sua palavra… (Hebreus, 1: 2 e 3)1

Como dissemos no início deste texto para compreendermos Paulo e a essência de sua mensagem é preciso nos descondicionarmos em relação às interpretações das escrituras que até então fizemos levando em conta as teologias cristãs tradicionais. Dentro da ótica antiga, a primeira ideia que vem ao lermos estes versículos é que Jesus é Deus. Porém não é o que pensava o autor de Hebreus. Além de ser inconcebível para um judeu como ele o pensamento de que Deus pudesse encarnar, a tradição judaica nunca disse ser o Messias igual a Deus.
Temos no texto em epígrafe a afirmativa do apóstolo de que Jesus é Filho. Como sabemos, Deus é Pai, portanto, não é a mesma coisa. Entretanto a teologia cristã posterior disse que o Filho faz parte da Trindade e que seria uma pessoa de Deus. Teríamos assim, Deus Pai, Deus Filho, e Deus Espírito Santo.
Não é objetivo deste estudo, devido a sua singeleza, aprofundar-se nestas questões teológicas, mas temos, entretanto, de manifestarmo-nos de alguma forma.
A teoria do Deus trino e da trindade não tem claramente um respaldo bíblico, pode-se ver a mesma expressa nas entrelinhas de alguns textos, entretanto trata-se de opinião pessoal e liberdade de interpretação daqueles detentores desta forma de pensar.
Temos nestes versículos a afirmação do autor sagrado de que Jesus fez os séculos. Num primeiro instante podemos pensar que Jesus fez o “tempo” já que séculos expressa uma noção de tempo. Como o Criador do tempo é Deus, supõe-se através de uma leitura rápida que Jesus é Deus.
Todavia o que o texto expressa que é Deus quem fez por meio do Filho, o que é diferente. Outra questão a ser compreendida é que a expressão grega aion também pode ser vista como uma tradução de uma expressão idiomática hebraica que dizer mundo, universo.
Assim, o autor de Hebreus quer dizer que Jesus fez o mundo. Dentro da teologia tradicional caímos na mesma dificuldade, pois quem criou o mundo foi Deus.
É aqui que a doutrina espírita entra fazendo a diferença. Mundo ou Universo aqui expressam os Universos físicos, isto é materiais. O mesmo se dá com séculos que é uma medida de tempo. Só existe tempo quando falamos de dimensões materiais.
Como vimos anteriormente Deus não opera diretamente na matéria, isto ele faz por meio dos Espíritos, e no caso da construção dos Universos Ele faz por meio dos Espíritos Puros que são os Cristos ou os Messias.
Assim, o autor de Hebreus inspirado pelo Espírito de Verdade está correto e coerente com o ensino que os Espíritos nos deram a partir da Codificação Kardequiana. Deus por intermédio de Jesus que é um Cristo fez o mundo em que vivemos que é o planeta Terra
Na sequência do versículo ele ainda diz que Jesus é a expressão de seu ser, isto é a expressão de Deus.
Está corretíssimo; Jesus é a expressão exata de Deus, a expressa imagem Dele. Como sabemos os Espíritos Puros já se reintegraram na Unidade Divina2. Todavia é preciso convir, a expressão de uma coisa não é a coisa em si por mais perfeita que ela seja. Uma imagem de uma pessoa num espelho é a cópia fiel desta, porém não é a pessoa, o mesmo podemos dizer de uma poema, ele pode expressar com perfeição um evento, mas não se trata do próprio; o mapa não é o território, e assim por diante.
Jesus é a expressão exata de Deus, daí ser confundido com Ele, porém não é a Divindade por excelência.

1 Aqui é preciso considerar que os eruditos modernos não têm Paulo como autor da carta aos Hebreus. Neste texto não vamos entrar nesta questão, vamos apenas considerar, como Emmanuel através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, que foi Paulo quem escreveu esta valiosa carta.
2 Cf. (KARDEC 1980), Q. 1009
 
1 (KARDEC, O Livro dos Espíritos. 50ª ed. 1980). Q. 536 item b
2 Idem, Q. 23
3 Id. Ib., Q. 76
4 Do grego Christos que significa “ungido”. Tanto os reis quanto os sacerdotes eram investidos de sua autoridade numa cerimônia com óleo de oliva. Deste modo Cristo é aquele que recebe a autoridade diretamente de Deus, e neste caso é autoridade moral e espiritual que só é dada àquele que chegou ao cume da escala evolucional.
5 (KARDEC 1980), Q. 536 item b
6 XAVIER, Francisco C./ Waldo Vieira/André Luiz (Espírito). Evolução em Dois Mundos, 13a Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1993.

sexta-feira, março 23, 2012

Moisés Proibiu a Comunicação com os Mortos?

Dizem que Moisés proibiu a comunicação dos vivos com os mortos.
Esta é a maior prova que de que este intercâmbio é possível e existe, pois como pode alguém proibir uma coisa que não é possível e que não existe? Se não existe, por que proibir?
Moisés só proibiu pois em seu tempo havia exploração indevida da faculdade mediúnica, como hoje muitas vezes isto ainda acontece. O que ele queria coibir era o mau uso da faculdade mediúnica, e isto Kardec também fez, vejam o capítulo XXVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Acompanhem o texto abaixo e vejam se Moisés era contra a comunicação com os ditos mortos:
Números, 11: 26 a 30:

"Porém, no arraial, ficaram dois homens; um se chamava Eldade, e o outro, Medade. Repousou sobre eles o Espírito, porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda; e profetizavam no arraial.
Então, correu um moço, e o anunciou a Moisés, e disse: Eldade e Medade profetizam no arraial.
Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus escolhidos, respondeu e disse: Moisés, meu senhor, proíbe-lho.
Porém Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Tomara todo o povo do SENHOR fosse profeta, que o SENHOR lhes desse o seu Espírito!
Depois, Moisés se recolheu ao arraial, ele e os anciãos de Israel."
Por este texto vocês acham que Moisés era contra  o bom uso da mediunidade?
Vejam Isaías, 8: 19 e 20:

19Se vos disserem: "Ide consultar os espíritos e os adivinhos, cochichadores e balbuciadores", não consultará o povo os seus deuses, e os mortos a favor dos vivos? 20À instrução e ao testemunho! Se eles não falarem de acordo com esta palavra, certamente não nascerá para eles a aurora.
Ou seja, em favor dos vivos pode-se consultar os Espíritos para instrução, porém se eles não falarem adequadamente isto é que deve ser avaliado.
Avaliem ainda o texto abaixo e tirem suas conclusões:
O Papa João Paulo II, perante mais de 20.000 pessoas na Basílica de São Pedro, em 2 de Novembro de 1983, disse :
"O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo".
Isso foi fartamente publicado nos jornais Italianos da época, mas hoje, poucas pessoas se lembram.
REPORTAGEM DA TV GLOBO
Observem bem, ao final da Transmissão, quando a Repórter Ilze Scamparini da TV Globo faz duas perguntas ao Padre Gino Concetti, um dos Teólogos mais competentes do Vaticano:
Ilze Scamparini : "Existe Comunicação entre os Vivos e os Mortos ?"
Gino Concetti : "Eu creio que sim. Eu acredito e me baseio num fundamento teológico que é o seguinte : Todos nós formamos em Cristo, um Corpo místico, no qual Cristo é o Soberano. De Cristo emanam muitas graças, muitos dons, e se estamos todos unidos, formamos uma comunhão. E onde há comunhão, existe também comunicação."
Ilze Scamparini : "O que o Senhor pensa do Espiritismo ?"
Gino Concetti : "O Espiritismo existe. Há sinais na Bíblia, na Sagrada Escritura, no Antigo Testamento. Mas, não é do modo fácil como as pessoas acreditam. Nós não podemos chamar o Espírito de Michelangelo ou de Raphael. Mas como existem provas nas Sagradas Escrituras, não se pode negar que existe essa possibilidade de comunicação".
REPORTAGEM SOBRE O VATICANO - COMUNICAÇÃO COM O MUNDO ESPIRITUAL
AUTORIDADES CATÓLICAS FALAM COM ESPÍRITOS - 1
Representantes do Vaticano admitem comunicação com os Espíritos !
O Padre Gino Concetti, fala do "Mais Além" de uma nova maneira. O Padre é irmão da Ordem dos Franciscanos Menores, um dos teólogos mais competentes do Vaticano. É comentarista do «L'Osservatore Romano», o diário oficial do Vaticano.
A intervenção do padre Concetti, é muito importante, porque, aqui se veem as novas tendências da Igreja a respeito do paranormal, sobre o qual, até agora, as autoridades eclesiásticas haviam formulado opiniões diferentes. Sustenta ele que, para a Igreja Católica, os contatos com o "Mais Além" são possíveis, e aquele que dialoga com o mundo dos defuntos não comete pecado se o faz sob inspiração da fé.
Vejamos pois, alguns extractos da entrevista, do Padre Gino Concetti ( P.G.C ) publicada no Jornal Ansa, em Itália, em Novembro de 1996 :
P.G.C. - «Segundo o catecismo moderno, Deus permite aos nossos caros defuntos, que vivem na dimensão ultraterrestre, enviar mensagens para nos guiar em certos momentos de nossa vida. Após as novas descobertas no domínio da psicologia sobre o paranormal a Igreja decidiu não mais proibir as experiências do diálogo com os trespassados, na condição de que elas sejam levadas com uma finalidade séria, religiosa, científica.»
P - Segundo a doutrina católica, como se produzem os contatos?
P.G.C - «As mensagens podem chegar-nos, não através das palavras e dos sons, quer dizer, pelos meios normais dos seres humanos, mas através de sinais diversos; por exemplo, pelos sonhos, que às vezes são premonitórios, ou através de impulsos espirituais que penetram em nosso espírito. Impulsos que se podem transformar em visões e em conceitos.»
P - Todos podem ter essas percepções?
P.G.C - «Aqueles que captam mais frequentemente esses fenômenos são as pessoas sensitivas, isto é, pessoas que têm uma sensibilidade superior em relação a esses sinais ultraterrestres. Eu refiro-me aos clarividentes e aos médiuns. Mas as pessoas normais podem ter algumas percepções extraordinárias, um sinal estranho, uma iluminação repentina. Ao contrário das pessoas sensitivas podem raramente conseguir interpretar o que se passa com elas no seu foro íntimo.»
P - Para interpretar esses fenômenos a Igreja permite-lhes recorrer aos chamados sensitivos e aos médiuns?
P.G.C - «Sim, a Igreja permite recorrer a essas pessoas particulares, mas com uma grande prudência e em certas condições. Os sensitivos aos quais se pode pedir assistência, devem ser pessoas que levam as suas experiências, mesmo aquelas com técnicas modernas, inspiradas na fé. Se essas últimas forem padres é ainda melhor. A Igreja interdita todos os contactos dos fiéis com aqueles que se comunicam com o Mais Além, praticando a idolatria, a evocação dos mortos, a necromancia, a superstição e o esoterismo; todas as práticas ocultas que incitem à negação de Deus e dos sacramentos»
P - Com que motivações um fiel pode encetar um diálogo com os trespassados ?
P.G.C - «É necessário não se aproximar muito do diálogo com os defuntos, a não ser nas situações de grande necessidade. Alguém que perdeu em circunstâncias trágicas, seu pai ou sua mãe, ou então seu filho, ou ainda seu marido e não se resigna com a ideia do seu desaparecimento, ter um contato com a alma do caro defunto pode aliviar-lhe o espírito perturbado por esse drama. Pode-se igualmente endereçar aos defuntos se se tem necessidade de resolver um grave problema de vida. Nossos antepassados, em geral, ajudam-nos e nunca nos enviarão mensagens nem contra nós mesmos nem contra Deus.»
P - Que atitudes convém evitar durante contatos mediúnicos?
P.G.C - «Não se pode brincar com as almas dos trespassados. Não se pode evocá-las por motivos fúteis, para obter por exemplo um nº do Loto. Convém também ter um grande discernimento a respeito dos sinais do Mais Além e não muito enfatizá-los. Arriscar-se-ia a cair na mais suspeita e excessiva credulidade. Antes de mais nada não se pode abordar o fenômeno da mediunidade sem a força da fé.»
Texto retirado do Jornal: O Popular - Goiânia
Há anos radicada na Europa, a psicóloga goiana Terezinha Rey divulga a aprovação, pela Igreja Católica, da comunicação com os mortos através de médiuns ! Oficialmente a Igreja Romana nunca admitiu o contato com os mortos, como prega a Doutrina Espírita. Nem mesmo a atividade de médiuns e paranormais, até há bem pouco tempo, era levada em consideração, pelos religiosos.
Essa opinião mudou. Através do jornal L'Osservatore Romano, órgão oficial da Igreja com sede em Roma, em edição de novembro de 1996, o padre Gino Concetti concedeu uma entrevista, depois reproduzida em outros periódicos, como os italianos : Gente e La Stampa e o mexicano : El Universal, revelando os novos conceitos católicos em relação às mensagens ditadas pelos espíritos depois da morte carnal. Padre Gino Concetti, irmão da Ordem dos Franciscanos Menores, considerado um dos mais competentes teólogos do Vaticano, admite ser possível dialogar com os desencarnados. Segundo ele, o catecismo moderno ensina que "Deus permite àqueles que vivem na dimensão ultraterrestre enviar mensagens para nos guiar em determinados momentos da vida.
Após as novas descobertas no domínio da psicologia sobre o paranormal, a Igreja decidiu não mais proibir as experiências do diálogo com os trespassados, desde que elas sejam feitas com finalidades religiosas e científicas e com muita seriedade".
A medida ditada pela nova cartilha da Igreja Católica deixou eufórica Terezinha Rey, psicóloga e ex-professora goiana, que reside há mais de 40 anos na Suíça. Ela é tradutora e divulgadora do texto do padre Gino Concetti. De férias em Goiânia, faz a divulgação desse material. Terezinha diz que as novas opiniões dos católicos a respeito da Doutrina pregada por Allan Kardec é uma questão da evolução natural das coisas. "Tenho um grande respeito pela Igreja Católica e creio ser oportuna esta revisão de suas opiniões sobre o Espiritismo", afirma ela.
Terezinha considera importantes as pregações do Padre italiano porque tiram a culpa dos católicos por procurar os espíritas em busca de contatos com seus entes queridos. "Conheço padres na Europa que são médiuns", revela a professora, citando como exemplo o padre Biondi, capelão dos jornalistas de Paris. Fundadora do Instituto Pestalozzi, Terezinha Rey foi para a Suíça em 1957 para fazer um doutorado em psicologia. Lá conheceu o renomado professor Andre Rey, um dos criadores da psicologia clínica, e acabou ficando em Genebra, onde também foi aluna da professora Helene Antipoff, educadora de grande prestígio no mundo inteiro.

Texto extraído do site: http://www.igrejacatolicacarismatica.org.br/artigos99.htm em 20/03/2012




 

segunda-feira, março 19, 2012

Paulo de Tarso Perspectiva Espírita (Continuação)


Dando sequencia ao nosso estudo continuamos:

Providência – trata-se da solicitude do Criador em relação à Sua criação; o cuidado e o acompanhamento que Ele tem com ela. Kardec desenvolverá o tema no Livro A Gênese1, no capítulo II a partir do item 20.
Podemos ver aqui uma prefiguração do Deus-Pai do qual falou Jesus, de um Deus que segundo entendemos  zela incessantemente em favor de seus filhos, os assiste em todos os momentos2.
Mas é a tua Providência, ó Pai, que o pilota, pois abriste um caminho até no mar e uma rota segura entre as ondas.3
Deste-me a vida e o amor, e a tua solicitude me guardou.4
No desenvolvimento do tema, aprofundando os conceitos de Criação e Providência surge um outro de fundamental importância para compreendermos Paulo em sua cultura judaica, trata-se do que podemos compreender por Aliança.
Deus criou o homem e o cercou de tudo que ele precisava, e mais, o colocou num Jardim de delícias (Éden).
Entretanto, fez com ele um pacto, uma aliança:
De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.5
O homem não conseguiu manter sua fidelidade e desobedeceu, surge deste modo a experiência do mal e a necessidade do homem se recompor.
O erro na criação não é de Deus, mas do homem, entretanto o Criador providencia recursos para que o homem corrija sua rota.
Assim, Deus renova sua aliança com Adão, e o mesmo vai fazer com Abraão, com Isaac, com Jacó, com Moisés…
Cada vez que o ser humano falha seu destino é reconfigurado para que atinja o objetivo de recompor-se diante de Deus com toda assistência Deste.
Vemos aí uma manifestação clara da Providência Divina auxiliando o homem em seu reerguimento espiritual, o que vai acontecer segundo Paulo, a partir de uma nova criação em Cristo. Ele viu Jesus como o redentor do erro de Adão. Ele era a manifestação plena da justiça de Deus, através de Jesus Deus confirma sua Fidelidade à Aliança.
Juízo – este é um tema que está presente em toda literatura bíblica, Deus é Santo, Nele não há mácula, nenhum tipo de impureza. A Justiça de Deus é manifestação plena de Seu caráter, assim, ele recompensa o bem e pune o mal. Haverá um juízo final, que é o momento de prestação de contas em que o homem diante de Deus será ou não justificado, isto é, reconhecido como justo.
Se for bem sucedido no julgamento terá vida, se não, morte. No Espiritismo a obra básica que aprofunda sobre este assunto é O Céu e o Inferno6.
Estes são temas sempre presentes em Paulo o que nos mostra ser ele fiel ao judaísmo. Voltamos a repetir, Paulo não rompeu com o judaísmo, o que ele percebeu era que Jesus era o objetivo da Torah (Romanos, 10: 4), o cumprimento da Promessa.
Tendo visto estas questões fundamentais que situam Paulo dentro do contexto judaico, faz-se necessário citarmos que o cristianismo, principalmente a partir do quarto século de nossa era, modificou alguns conceitos, baseados numa forma errônea de ler Paulo e que agora precisamos reconsiderar.
Assim, Jesus foi tido como Criador, e se é Criador, entendeu-se que Jesus é Deus, ou seja, Deus que encarnou.
Lembramos de Kardec quando na questão 59 de O Livro dos Espíritos ao comentar sobre algumas considerações bíblicas sobre a criação afirma:
Dever-se-á daí concluir que a Bíblia é um erro? Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la.
Assim, se nos propomos realizar uma nova interpretação dos textos de Paulo à luz da Doutrina Espírita, precisamos conhecer e estudar os princípios fundamentais do Espiritismo.

É o que abordaremos no próximo estudo...
1 KARDEC, Allan. A Gênese, 26ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984.
2 Não vamos encontrar em nenhum texto esta ideia de Deus-mãe, esta é apenas uma figura de linguagem a fim de melhor compreendermos a Providência Divina.
3 Sabedoria, 14: 3
4 Jó, 10: 12
5 Gênesis, 2: 16 e 17
6 KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Rio de Janeiro: FEB, 1944

segunda-feira, março 12, 2012

Paulo de Tarso: Uma Perspectiva Espírita


Para entendermos a teologia de Paulo numa perspectiva espírita é preciso termos alguns cuidados na interpretação dos textos deste valioso apóstolo.
Em primeiro lugar faz-se necessário nos descondicionarmos da visão de aproximadamente dois mil anos que o cristianismo organizado nos trouxe, onde os ensinamentos de Jesus foram interpretados de forma incorreta.
Dizemos desta forma, pois devido à sua imaturidade espiritual o homem nestes dois milênios posteriores à vinda de Jesus não conseguiu compreender alguns pontos da Mensagem do Evangelho criando doutrinas que divergem da essência do que o Senhor nos trouxe, formando, assim, na humanidade, um psiquismo difícil de ser alijado da nossa intimidade, psiquismo este que tem nos levado a enganos e dificultado a compreensão da maior mensagem que Deus deu à humanidade.
Como segunda necessidade para melhor entender Paulo é preciso compreendê-lo dentro de suas três realidades, ou seja, devemos inseri-lo em seus três mundos.
  • Ele era cidadão romano (cf. Atos, 22: 25, 27 e 29)
  • Tinha se formado numa cultura grega e era profundo conhecedor deste idioma, de sua literatura e filosofia. Nascido em Tarso, uma cidade que tinha uma das maiores universidades da época; teve segundo Emmanuel1 convívio com mestres da escola de Atenas e de Alexandria.
  • Era Judeu, fariseu, criado aos pés de Gamaliel2.
Portanto, Paulo não é autor de nenhuma teologia antissemita, não tem Jesus como Deus, e nem prega um Deus trino o que seria inadmissível para o judaísmo em que foi formado. Ele não rompeu com o judaísmo, a elite judaica é que não o compreendendo não o aceitou, como também, anteriormente, não aceitara Jesus.
O que o apóstolo dos gentios percebeu e por isso não foi compreendido por muitos é que Jesus era o Messias falado nas Escrituras hebraicas, que era maior do que Moisés e do que todos os profetas; que Ele era a continuidade da Torah, Ele a completava, era o objetivo dela; o Seu Evangelho era a Terra Prometida a seus ancestrais. Para Paulo Jesus não era rival de Moisés e nem vice-versa, Moisés era servidor de Jesus e tinha seu valor, como Jesus era de Deus.
A teologia paulina é eminentemente judaica, Jesus é o cumprimento da Promessa, é a semente de Abraão3.
*****
O Bispo anglicano Nicholas Thomas Wright, em seu livro “Paulo – Novas Perspectivas”4, define a estrutura do monoteísmo judaico fundamentada em três conceitos importantes. São eles o de criação, providência, e juízo.
Segundo este considerado autor, em Paulo também veremos a mesma temática expressa em toda sua teologia.
Interessante observarmos, quando nosso desejo é fazermos um releitura de Paulo sob uma ótica espírita, que na Doutrina codificada por Kardec também teremos os mesmos assuntos nos desafiando por toda obra.
Criação – tendo entendido que existe uma criação, o judaísmo teve o bom senso de perceber que esta não se fez ao acaso, mas que era obra de um criador. Vemos aqui a presença daquela orientação dada a Kardec pelos Espíritos codificadores:
Não há efeito sem causa. E neste axioma podemos encontrar a prova da existência de Deus, o Criador. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.5
Assim, temos, se há uma criação, tem-se então um criador, que neste caso é Deus, o Criador dos céus e da terra.6
Guardemos, portanto, esta informação, no Judaísmo de Paulo Deus é o Criador do Universo e de todas as coisas.
Os céus contam a glória de Deus,
E o firmamento proclama as obras de suas mãos.
O dia entrega a mensagem a outro dia,
E a noite a faz conhecer a outra noite.
Não há termos, não há palavras,
Nenhuma voz que deles se ouça;
E por toda a terra sua linha aparece
E até aos confins do mundo a sua linguagem.
Ali pôs uma tenda para o sol,
E ele sai, qual esposo da alcova,
Como alegre herói, percorrendo o caminho.7

(No próximo texto trabalhremos os conceitos de "providẽncia" e "juízo")


1 XAVIER, Francisco C./ Emmanuel (Espírito). Paulo e Estevão, 41ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. Pág. 84
2 Atos, 22: 3 e 26: 4 e 5
3 Cf. Gênesis, 13: 15 e Gálatas, 3: 16
4 WRIGHT, N.T.; Tradução de Joshuah de Bragança Soares. Paulo Novas Perspectivas. São Paulo: Loyola, 2009.
5 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980. Q. 4
6 Gênesis, 1: 1
7 Salmo, 19: 1 a 6

segunda-feira, março 05, 2012

Evangelho Miudinho: Ainda sobre o Sermão Profético de Jesus


E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. (Mateus, 24: 29 a 31)

E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.
E, logo depois… - Esta expressão define para nós que em se tratando de acontecimentos dentro do andamento natural da Lei, tudo tem a sua a hora, existe uma seqüência a ser cumprida sem ferir a ordem geral que tudo rege.
da aflição daqueles dias… - Daqueles dias exprime, como temos dito, estes momentos de transição necessários a passarmos de uma fase a outra. São dias difíceis tanto no particular quanto no geral. Se existem obstáculos a serem vencidos pela individualidade, o mesmo podemos dizer da coletividade; originando, deste modo, guerras, calamidades e doenças generalizadas que tanto nos incomodam.
Entretanto, se tais situações são geradoras da aflição predita por Jesus, muito maior é a que sentimos no campo íntimo, por já possuirmos o discernimento espiritual sem todavia, alterarmos nossa conduta para melhor como se faz necessário; é o que poderíamos chamar de angústia gerada pelo “complexo de Moisés”, que é aquele sentimento de ver a “Terra Prometida”, sem no entanto poder adentrá-la. Ou seja, nós muitas vezes sabemos o que fazer, sem entretanto realizarmos deste modo; temos o sentimento do Reino, sem, todavia, lá nos situarmos como posição conquistada. Esta dualidade em que nos situamos, nos causa profundo desconforto, sendo deste modo, a causa desta angustia das nações de que nos fala Lucas, porque qual a origem do todo, senão o que vai na intimidade das partes?
o sol escurecerá… - O sol, como elemento mantenedor de nosso sistema planetário, podemos entendê-lo como a própria Luz Divina. Então, como compreender que ele escurecerá, se a Luz vinda de Deus não se apaga nunca?
É que devemos entender a vinda do Filho do homem como o momento da ressurreição1 da própria criatura, e não podemos esquecer que a esta antecede a crucificação. O escurecimento do sol, é justamente este instante de martírio íntimo, em que nem mesmo o auxílio espiritual parece nos socorrer, é aquele momento em que procuramos ajuda num amigo, e ele não se encontra, procuramos por uma página consoladora e mensagem que cai é outra completamente diferente do que estamos querendo; nos alertando assim, para a necessidade de vencermos aquele momento com recursos próprios. O amparo do Alto existe, mas é como se houvesse um hiato, para que possa ser avaliado as nossas possibilidades. Foi para nos ensinar que este momento seria necessário, que Ele o Maior entre todos os educadores, disse:
Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?2
e a lua não dará a sua luz… - A lua não tem luz própria, a luminosidade que ela manifesta é originária do sol, assim, podemos simbolizá-la, como aqueles valores que possuímos ainda não devidamente acolhidos em nossa intimidade como conquista definitiva; deste modo, para que eles se manifestem é necessário um contato maior com o grupo que nos apoia ou com a nossa Consciência Profunda; quando falta a luminosidade do sol íntimo, a nossa lua, também não dará a sua luz. É o momento da fé vacilante, é como se faltasse aquele piso que nos dá a devida segurança.
e as estrelas cairão do céu… - As estrelas são justamente aqueles recursos que falamos anteriormente, com os quais temos de contar nestes instantes aflitivos, é a luz própria, ou dizendo de outro modo, as virtudes conquistadas. Num primeiro momento podemos pensar que elas também falharão, pois fala-nos o Senhor que elas cairão do céu. Mas é questão de interpretação, elas cairão do céu, quer dizer que naquele momento, elas não vão iluminar a coletividade, vão atender é às nossas necessidades mais íntimas; estrelas serão sempre estrelas, não há perda ou retrocesso na Economia da Vida. A queda das estrelas do céu, quer justamente dizer que elas vão sair do plano simplesmente contemplativo, para o operacional, será a dinamização dos recursos que já possuímos, no sentido de construirmos a própria segurança.
e as potências dos céus serão abaladas. – Se tudo isto se dará no campo íntimo, haverá logicamente, e como dissemos em outra parte, um reflexo no coletivo. As potências dos céus são justamente aqueles Espíritos encarnados ou desencarnados já afinados com os valores espirituais, e que trabalham na Seara do Cristo para a implantação do Evangelho no coração das criaturas; ou ainda, representam a própria Mensagem do Eterno que sempre esteve presente no seio de todos os povos. Quando Jesus diz que elas serão abaladas, não fala de um abalo em si mesma, pois o que é de Deus, não sofre oscilações; fala-nos de um abalo de fora para dentro, o que é natural, de uma descrença que pode acontecer, de uma supremacia dos valores do mundo sobre os valores do Cristo. É o que deixa-nos nas entrelinhas a mensagem da morte de Jesus; por dois dias a terra, representando o poder transitório ficou em cima do Cristo – são os dois milênios de domínio das trevas -; para no terceiro dia – terceiro milênio – haver a Ressurreição, e as Potências do Céus, que representam a Verdade de Deus, ficarem acima da terra, ou, reinarem na Terra como um planeta Governado e Dirigido pelo Cristo de Deus.
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem… - Após estes momentos de dores e de angústias, onde todos serão testados, tanto individual como coletivamente, informa-nos o Senhor que, então, isto é, como conseqüência do amadurecimento gerado por estes acontecimentos, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. Esta é uma manifestação da misericórdia divina, e do andamento natural da Lei; quando finda o tempo necessário ao aprendizado, inicia uma nova fase, baseada nos valores conquistados.
O sinal do Filho do homem aparecerá no céu, ou seja, através de nossa vinculação com um estado de espírito superior. O Cristo existiu desde sempre em nós, e também em todas as manifestações do nosso orbe…
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.3
Entretanto, devido à nossa sintonia inferior não O percebemos…
estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu.4
Ele aparecerá no céu. Este é um prenúncio de que está a terminar nossos ciclos de resgate, pois conforme nos diz Jesus segundo as anotações de Lucas, está próxima a nossa redenção.5 Ou segundo os dizeres do converso de Damasco:
Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus…
na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.6
e todas as tribos da terra se lamentarão… - As nações e os povos antigos eram subdivididos em tribos. O uso desta expressão aqui significa que todos se lamentarão; a mais intima das células da sociedade se lastimará diante do grande acontecimento que será o reencontro com o Filho do homem. Este lamento se dá, porque por mais que realizemos em favor do progresso espiritual, a Misericórdia do Criador é ainda maior, e veremos neste encontro conosco mesmo, que poderíamos ter feito mais. Tal situação é muito comum de se dar no regresso do Espírito ao plano espiritual após uma oportunidade reencarnatória. No momento em que ele se vê diante de si, e de suas realizações, o primeiro sentimento que tem, é o de que perdeu oportunidades; sendo que alguns ainda afirmam que nem mesmo o maior dos fracassos no plano da matéria é mais doloroso do que a vergonha que se sente por ter, em vários momentos, se estacionado, ou simplesmente deixar de ter feito o Bem.
Se isto se dá no final de uma simples etapa encarnatória diante da grandeza da Vida Espiritual, o que não se dará no final de um ciclo maior, em que o Espírito muitas vezes se vê diante da oportunidade de uma promoção a um Mundo mais elevado em matéria de espiritualidade?
e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu… - A nuvem é o cenário normal da manifestação dos Espíritos representantes de Deus ou do Filho do homem, conforme vemos em Daniel, no Apocalipse, e em outros livros tanto do Velho como do Novo Testamento:
Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.7
Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim! Amém!8
Disse, pois, o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo o tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque eu apareço na nuvem sobre o propiciatório.9
Esse vir sobre as nuvens, quer justamente dizer-nos do caráter espiritual que terá esta manifestação, virá do Alto, em uma, e de uma vibração elevada, superior a tudo o que conhecemos neste mundo transitório. Este momento de Unificação Plena com o Criador é Único, Deus é espírito, e só espiritualmente podemos compreendê-Lo.
com poder e grande glória. – Ter poder é ter possibilidade, autorização, força, para realizar algo. Nada dá mais poder do que a Autoridade conquistada pela vivência do que se conhece, a glória é justamente esta conquista.
A Lei Divina é o regulamento que tudo dirige, tanto no micro quanto no macrocosmo; tanto no mundo físico, quanto no espiritual. Estar em acordo com esta Regulamentação, é estar Uno com o Pai, é ter em si o Verdadeiro Poder, o único que realmente dá segurança e força para qualquer realização.
Quando deste modo, realizamos em nós a edificação estruturada na Verdade Universal, adquirimos este Poder, e a Glória será tão grande que nada será capaz de impedir a nossa total e definitiva vitória sobre o mundo e todas as suas imperfeições.
Não é outro o sentido das Palavras Daquele que assim tendo feito, pôde declarar-Se com a Suprema Autoridade, ser o Pão da Vida:
E, naquele dia, nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.10
E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.
E ele enviará os seus anjos… - A vinda do Filho do homem permitirá o aparecimento de seus anjos. No plano exterior, estes anjos representam aqueles Espíritos que estão junto com Jesus trabalhando para a implantação do Evangelho como norma a ser vivida. Hoje eles estão por aí se manifestando seja de uma forma ostensiva ou apenas intuitiva nos templos ligados a todas as religiões.
No plano íntimo podemos entender estes anjos como aqueles valores que já conquistamos ajustados à moral cósmica. São eles que nos permitirão realizar o encontro com o Cristo interno, e é este encontro que possibilitará que eles possam se manifestar de uma forma mais visível.
com rijo clamor de trombeta… - Como se dará o aparecimento destes anjos? Informa-nos o texto evangélico que, com rijo clamor de trombeta.
Rijo é robusto, vigoroso, forte. Clamor é ação ou efeito de clamar, um grito de queixa. O Clamor normalmente sai de dentro, com força, alto, dando a entender que esta manifestação não será apagada, mas visível a todos. A trombeta por sua vez é um instrumento de sopro, uma espécie de corneta, seu som é alto e estridente, o que vem confirmar o que dissemos anteriormente, de ser esta manifestação algo que se destaca.
Ora, tanto a manifestação dos Espíritos tem sido hoje, algo que não se consegue esconder, como as virtudes já conquistadas por um homem, também são mostradas a todos; mesmo sendo humildes aqueles que as possuem, não há quem não veja aquele que age com o verdadeiro amor em seu coração.
Várias são, como vemos, a forma do Criador despertar as criaturas para as necessidades preeminentes; o toque da trombeta referencia justamente este insight que se dá no momento oportuno, seja no silêncio de Deus, ou no grito de um necessitado.
os quais ajuntarão os seus escolhidos… - Este ajuntamento se dá justamente por causa da Lei de afinidade. Se hoje, no plano físico em que nos movimentamos, a Lei que rege é a da necessidade através do reajuste que se faz imprescindível, quando esta fase terminar, viveremos de acordo com o plano eleito em nossos corações e com aqueles que se afinizarem com o mesmo. Será aquele momento de separação do joio do trigo.
Sobre os escolhidos, dissemos anteriormente que se trata daqueles que já elegeram a Moral como norma de conduta de forma consciente. Assim, eles serão automaticamente unidos pelo seu ideal superior. Isto já ocorre no plano espiritual, onde vivemos de acordo com o que cultivamos, e com aqueles que comungam a mesma faixa de interesses.
desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. – A expressão quatro ventos se refere à totalidade do plano físico; e, de uma à outra extremidade dos céus à completude do plano espiritual. Pois o número quatro representa justamente o todo em se tratando do mundo em que vivemos. São os quatros pontos cardeais a delimitar o que vemos, as quatro estações definindo o tempo de um ano completo. Assim falando o Senhor, mostra-nos a amplitude da manifestação do Filho do homem, que é o Deus em nós, e que no momento oportuno será revelado a todos.

(Extraído do livro O Sermão Profético)
 
1 Adotamos aqui a idéia de ressurreição como ressurgir para a Vida, e não como ressurreição de corpos, que segundo algumas crenças se dará no dia do juízo final.
2 Mateus, 27: 46
3 João, 1: 3
4 João, 1: 10
5 Conforme Lucas, 21: 28
6 Romanos, 8: 19 e 21
7 Daniel, 7: 13
8 Apocalipse, 1: 7
9 Levítico, 16: 2
10 João, 16: 23